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Refúgio da História
Cachoeira não é apenas o maior distrito de Ouro Preto.
Seu passado de glória e acontecimentos importantes o colocam
definitivamente no cenário histórico de Minas Gerais.
A maior parte de seu acervo arquitetônico já não
existe mais, mesmo assim imponentes ruínas e construções
remanescentes resistem ao tempo, denunciando a majestade de outrora.
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O grande bandeirante Fernão Dias Paes -
o Caçador de Esmeraldas - foi provavelmente o primeiro
a alcançar uma linda queda d'água em meio a um
vasto campo. Isto se deu por volta de 1675, bem antes de serem
descobertas as fabulosas minas do Tripuí. Acredita-se
que o primeiro aventureiro a se fixar no local tenha sido
Manuel de Mello. Depois vieram outros, principalmente com a
descoberta de jazidas de ouro. Mais imigrantes, mais bocas para
alimentar. E a produção agrícola de Minas
não era
suficiente, pois muitos lavradores tinham abandonado suas
atividades para se dedicarem às lavras auríferas.
Nesse curso, em 1700, surge uma grave crise de abastecimento.
Cachoeira do Campo responde e desponta como centro
agrícola de toda a região. Uma poderosa aristocracia se consolida, com
influência e dinheiro o bastante para construir
prédios suntuosos para a época. Aliás, mesmo
hoje seriam considerados suntuosos. A pompa e luxo fizeram morada em
Cachoeira. Não demorou para que o poder também
a escolhesse como residência.
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Tantos interesses acabaram por
transformar o arraial em palco de importantes conflitos durante todo
o séc. XVIII. O primeiro foi a sangrenta Guerra dos Emboabas
(1707-1709),
envolvendo paulistas e demais imigrantes. Ambos lutavam pelo controle
das minas. A revolta se espalhou por outros arraiais, mas devido
a sua projeção, Cachoeira testemunhou a
batalha decisiva. Manuel Nunes Viana, liderando os emboabas, levou
a melhor. Foi sagrado o primeiro governador de Minas, provavelmente
na matriz N. Sra. de Nazaré, em Cachoeira. Foi também
o primeiro a ser empossado nas Américas pela vontade do povo.
Seu intento, no entanto, não durou muito. Em vista do conflito
a Coroa determinou a criação da Província
de São Paulo e Minas de Ouro (1709). O capitão Antônio de
Albuquerque foi nomeado oficialmente governador e Mariana escolhida
como capital.
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Os ânimos voltaram a se acirrar alguns anos
depois, em 1720. Felipe dos Santos, minerador de Vila Rica, liderou
uma revolta contra a instalação das Casas de Fundição
e consequente recolhimento pela Coroa de um quinto de todo o ouro extraído.
Era a Sedição de Vila Rica, que obtinha a simpatia de
várias camadas da população. O episódio
mais importante da revolta se deu na praça da matriz, em
Cachoeira do Campo: a prisão de Felipe dos Santos, enquanto
insurgia o povo. Foi condenado à morte. Há controvérsias
sobre sua execução: enforcamento e esquartejamento ou
se teve o corpo amarrado a cavalos, que saíram em disparada
estraçalhando-o. Baseado nos acontecimentos o governador de
Minas, o Conde de Assumar, determinou o desmembramento da
capitania em duas. Estava criada a província de Minas Gerais.
Enquanto Vila Rica se transformava na capital da nova
província, Cachoeira do Campo se tornaria a residência
oficial do governador. Desta maneira as decisões
seriam tomadas com mais tranquilidade, longe do fogo cruzado das
opiniões vigentes na capital. O palácio de campo
do governador era uma construção suntuosa. Relatos de
época o descrevem como inigualável, dotado dos
mais valiosos requintes. O prédio lamentavelmente não
existe mais. A grandiosidade de suas ruínas servem de testemunho
daqueles tempos áureos.
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Interessantes fatos da Inconfidência Mineira
se deram em Cachoeira. O quartel da Cavalaria, onde trabalhava
Tiradentes, foi um importante reduto do movimento. De lá
sairia o batalhão que prenderia o governador, Visconde
de Barbacena, e tomaria o poder. O governador passava a maior parte do tempo no palácio
em Cachoeira. De uma das torres da igreja
N. Sra. das Dores - utilizada para alguns encontros dos inconfidentes - era possível
acompanhar toda a movimentação externa do palácio,
sem ser percebido. Não deu certo: Joaquim Silvério dos Reis
traiu a causa libertária. Era o fim de um sonho, que renasceria 30
anos depois, com a Independência do Brasil (1822).
Maiores informações sobre Cachoeira do Campo:
Projeto de Pesquisa, Divulgação e Defesa
do Patrimônio Histórico e Cultural de Cachoeira do Campo
- Responsáveis.: Rodrigo da Conceição Gomes - (0xx31) 9909-4106
Alex Fernandes Bohrer - (0xx31) 9117-1708
- E-mail: redescobrindocachoeira@intercampo.com.br

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